Diário de bordo – Vivências no Ecossistema Cultural do Grajaú
Por: Fábio Gabriel da Costa – Mestre Salário Participação no Programa INOVA QUEBRADA Organizadores da Visita: Phomenta, Casa Hacker e FEAC Território visitado: Grajaú – São Paulo Hoje escrevo para registrar o que vivi no Grajaú — não apenas como mestre de capoeira, produtor cultural ou presidente da APAS, mas como alguém que acredita na força transformadora da cultura. Participei, junto a outros cinco empreendedores culturais, de uma visita ao ecossistema cultural do Grajaú. Fomos recebidos por iniciativas potentes, — que abriram caminhos e nos possibilitaram enxergar o território com olhos de aprendizado e inspiração. Logo ao chegar, senti que aquela não seria apenas uma visita técnica. O Grajaú nos recebeu como quem recebe parentes de longe: com histórias, cores, memórias e sonhos. Caminhamos por espaços culturais que respiram vida. Conversamos com artistas, empreendedores, lideranças. Ouvimos histórias de resistência, enquanto nossos olhos eram guiados pelos grafites que coloriam os muros — verdadeiros livros abertos que revelam o passado, o presente e o futuro de uma comunidade forte. Um dos momentos que mais me marcou foi ver a criatividade transformada em prática: pranchas de surf feitas de garrafas PET, usadas ali mesmo, no próprio território. Uma ideia que nasce da necessidade, mas também da inteligência coletiva de quem decide reinventar a realidade com as próprias mãos. Enquanto caminhava, me peguei refletindo sobre meu próprio território. Fisicamente, é diferente do Grajaú. Mas, no coração, eles se reconhecem. Há algo que nos irmana: a resistência cultural, a capacidade de se reinventar e a força de continuar existindo mesmo quando o mundo insiste em nos deixar à margem. Ao longo do dia, fui me preenchendo de pensamentos e sentimentos. Entendi, mais uma vez, que somos nós que construímos nossos sonhos. E percebi como a união de pequenas iniciativas pode transformar vidas de verdade. Essa visita não foi apenas uma observação distante. Ela tocou meu trabalho, minha caminhada e até minha organização. Representando a APAS como líder, não como organizador, voltei com a certeza de que novas conexões surgiram e que trocas futuras poderão fortalecer ainda mais o que fazemos. E não poderia deixar de falar do Sabores Divinos, uma maravilha, quanta gentileza e carinho por nós, ahhh aquela comida, maravilhosa kkk (boas lembraças) Também trago comigo histórias inspiradoras, novas amizades, referências de inovação e o desejo sincero de voltar. Trago também a certeza de que arte urbana, sustentabilidade, criatividade e resistência podem caminhar lado a lado para construir futuros possíveis. O Grajaú me mostrou que as periferias são grandes centros de potência. Me mostrou que somos memória viva, presente atuante e futuro pulsante. E, acima de tudo, me lembrou por que escolhi dedicar minha vida à cultura: ela transforma, levanta, empodera e conecta. Encerrando, deixo registrado: volto para meu território mais forte, mais inspirado e mais certo do que nunca do caminho que escolhi trilhar como uma liderança. Com respeito, verdade e esperança.
Mestre Salário.

