Entre Memórias, Resistências e Pertencimento: Meu Encontro com o Rio
Quando fiquei sabendo que iríamos para o Rio de Janeiro, fiquei muito entusiasmado com essa oportunidade, por entender que seria uma viagem capaz de impactar minha vida e minha trajetória. Eu tinha um desejo enorme de conhecer o Cais do Valongo e de entender de perto a realidade das ONGs que atuam naquele ecossistema tão peculiar. Assim que chegamos, fomos almoçar em um restaurante maravilhoso, onde nos deliciamos com uma refeição dos deuses — só de lembrar, dá água na boca. Depois seguimos para o hotel onde ficamos hospedados, simplesmente top, bem ao lado dos Arcos da Lapa. Em seguida, fomos ao Instituto Phi, onde falamos um pouco sobre nossas ações e iniciativas. Eu estava muito cansado e acho que não fui tão bem na minha fala, mas ainda assim valeu pela experiência. Também tivemos a oportunidade de conhecer o Instituto Decodifica, cujas ações têm relação com o que desenvolvemos nas nossas próprias OSCs. Por fim, veio a atividade mais esperada do dia: a visita ao Cais do Valongo. Já tinha ouvido falar sobre o local pelas mídias e em uma palestra em Campinas, mas estar lá é outra história. Fiquei profundamente impactado ao conhecer como foi construída e “redescoberta” aquela área em 2016. Meu coração apertou ao pensar na quantidade de escravizados que chegaram ao Brasil por ali — alguns registrados, outros completamente apagados, sem nome, sem história, sem nada. Fiquei admirado com a Pedra do Sal, sua história de resistência e pertencimento, e a importância que ela tem para manter viva a memória de um povo que deixou um legado imenso. Descobri também que as escadarias da Pedra do Sal foram esculpidas por pessoas escravizadas, e que crianças eram usadas como principal mão de obra. Passamos ainda pela “Rua Pé de Moleque”, construída por crianças. Também me marcou saber que a palavra “favela” vem do nome de uma planta “não nativa do Rio”, que deu origem ao nome no Morro da Providência. E houve ainda a menção ao papel da Igreja Católica como detentora de muitos escravizados na época. Andamos muito… e o calor estava matando! Mas tudo valeu a pena pela experiência inesquecível de caminhar pela história e sentir, em cada narrativa, a dor, o desespero, a angústia e a tristeza que ainda parecem ecoar no ar. No Museu do Negro, vimos pelo vidro do chão restos mortais de nossos antepassados enterrados ali, sem ao menos terem seus nomes reconhecidos. O coração apertou de verdade. Vi meus companheiros chorarem — apertou mais ainda. Triste. Revoltante. Mas, ao mesmo tempo, fiquei feliz por perceber que, apesar de tudo, o passado não foi apagado. Nossa chegada à Rocinha foi tranquila, mas eu estava tenso — e acredito que não era só eu. Assim que chegamos, fomos bem recebidos e comecei a compreender aquele ecossistema tão complexo e desafiador. Pressão. Atenção. Vamos. Pare. Siga. E então chegamos às organizações locais, onde percebi o quanto o povo brasileiro é desafiado diariamente e, ainda assim, encontra caminhos de desenvolvimento mesmo com pouquíssimas condições. Vi que as ações são realizadas com verdade, raiz comunitária e muito pertencimento. Cada pessoa parece saber exatamente a parte que lhe cabe. À noite, fomos para os Arcos da Lapa — momento de descontração total! Risadas, resenha (kkk) e leveza. E antes de voltar, claro, passamos na praia. Viagem ao Rio de Janeiro tem que ter praia! Comemos petiscos, rimos vendo os amigos levarem caldo (kkk)… Eu nem sou fã de banho de mar, mas entrei também. A água estava um gelo só! Voltei renovado, impactado e cheio de história para contar.

